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Academia do Beco dos Caídos

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Academia do Beco dos Caídos

Mensagem por Líder em 20/6/2016, 23:55


BECO DOS CAÍDOS

Nova Esperança


REGRAS DOS TREINOS

1º - Não há risco de morte nos treinos, então não há risco de que você se machuque gravemente;

2º - Existem os treinos fáceis e os treinos difíceis, cada um contendo seu nível de dificuldade. É de inteira responsabilidade do jogador o treino, e este deverá fazê-lo por conta própria. Deverá também seguir o nível de dificuldade pré-estabelecido no treino escolhido. Treinos fáceis dão até 10 XP, e treinos difíceis dão até 20 XP.

3º - Ao postar seu treino, não se esqueça de postar qual foi o treinamento escolhido e quando foi seu último treino.

4º - Não há qualquer necessidade de se fazer uma solicitação, o jogador pode vir diretamente ao campo de treinamentos e realizar o seu post. O prazo de uma semana precisa ser respeitado, ou seja, um jogador que fizer o treino numa sexta só poderá vir a fazer outro na próxima sexta. Jogadores lvl 1 podem fazer até 3 treinos por semana, enquanto jogadores do lvl 2 pra cima podem fazer apenas 1 por semana.

5º - A avaliação acontecerá seguindo os critérios de missão, ou seja: criatividade, uso coerente dos poderes, respeito aos defeitos do personagem, interpretação, ortografia, coerência e organização da postagem.

6º - O formato da postagem precisa ser o seguinte: A entrada na sala, a seleção de treinamento, o próprio treinamento e a conclusão deste. O número mínimo de linhas no post é de 10, não tendo limitação de valor máximo.
Nível Fácil

Luta I:

Você pode, neste treinamento, lutar contra algum lutador amador de qualquer arte marcial desejada. Deve descrever a luta e como venceu o oponente. Não pode usar os poderes.

Treino de Força:

O personagem precisa erguer cinco pesos diferentes: 10kg, 20kg, 50kg, 100kg e 200kg. Descreva como conseguiu erguer cada um desses pesos.

Fuga I:

Neste treinamento, você terá que fugir de um grupo de 5 pessoas. Seu objetivo é, saindo do Beco dos Caídos, percorrer 10km até chegar ao Centro de Nova Esperança ou 15km até o Porto. Descreva como conseguiu fugir. Não pode usar os poderes, se tiver.

Invasão I:

Neste treinamento, você terá que invadir um prédio e roubar um objeto. O prédio é a escolha do jogador, mas este terá que passar por, no mínimo, 5 seguranças ou policiais sem ser notado, surrupiar o objeto e retornar sem ativar o alarme. Descreva como conseguiu invadir o local.

Nível Difícil

Luta II:

Você pode, neste treinamento, lutar contra algum lutador semi-profissional de qualquer arte marcial desejada. Não poderá usar os poderes. Descreva como venceu a luta.

Fuga II:

Neste treinamento, você terá que fugir da polícia, que te perseguirá com força total. Seu objetivo é, saindo do Beco dos Caídos, despistar os policiais. Pode usar os poderes se quiser. Descreva como conseguiu despistá-los.

Invasão II:

Neste treinamento, você terá que invadir um prédio e roubar algo de grande valor. O prédio é a escolha do jogador, mas este terá que passar por, no mínimo, 15 seguranças ou policiais sem ser notado, surrupiar o objeto e retornar sem ativar o alarme. Descreva como conseguiu invadir o local.
Líder
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Atributos:
AtributosValorXP Acumulado
Força100TUDO
Resistência100TUDO
Agilidade100TUDO
Destreza100TUDO
Concentração100TUDO
Raciocínio100TUDO
Percepção100TUDO
Vontade100TUDO

Poderes e Habilidades Especiais:
Desvantagens, Perícias e Equipamentos:
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Teste

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Re: Academia do Beco dos Caídos

Mensagem por Convidado em 23/6/2016, 16:15

Treinamento Nível Difícil (Luta II)


Acho que hoje é dia dois, ou três, de janeiro, não tenho certeza, pela hora pode ser dia quatro, ou eu posso ter esquecido de um dia da minha vida e hoje ser dia cinco. Não importa. Eu espanquei uma família desesperada e agora sou procurado pela polícia. Não, eu não acho que estou errado, eu não erro, o mundo ao meu redor erra e me condena por acertar. Eu eliminei uma ameaça eminente e me protegi de ataques secundários, não é possível que mais ninguém tenha visto isso. Como eu queria Hugo aqui, eu tenho certeza que ele colocaria juízo nas cabeças vazias desses idiotas. Mas isso não pode me abalar. Eu estou sentado na porta da oficina, em uma cadeira de plástico azul e a garrafa de cerveja na minha mão está vazia. Não sei ao certo que horas são, mas a noite já tomou o céu a algumas horas, um ônibus passa pela avenida vazia e ele vem rápido. Ele passa e na parte de traz vejo a propaganda no vidro traseiro com a foto de um casal, parecendo feliz, abraçados e sorrindo, sobrepostos por uma frase que dizia “a vida é mais bonita com quem você ama”. Não consegui me segurar. Levantei-me e arremessei a garrafa na direção da traseira do ônibus. A direção era certeira, mas não a lancei forte o suficiente. O ônibus estava muito rápido e se distanciou muito rápido de mim. Aquela imagem, por algum motivo, havia me lembrado a mulher que tirou minha atenção na noite de Ano Novo. Falta-me foco. Preciso esquecer os problemas que o Réveillon me acarretou e eu conheço um lugar ótimo para isso.

De madrugada Nova Esperança com certeza não é a cidade luz, mas com certeza nunca dorme. Você pode ver mendigos e putas em cada esquina, mas também pode ver moribundos machucados voltando para suas casas decadentes e vidas deprimentes, esses vêm sempre do mesmo lugar: o Beco dos Caídos. Esse é o tipo de lugar que você vai para melhorar suas habilidades, mas as vezes alguém só quer desestressar, soltar tudo o que tiver, acertar a cara de alguém com toda força possível, destruir tudo de bonito que existe, estourar as veias do pescoço de alguém e quebrar ossos aleatórios. Essa é a minha intenção hoje e eu tenho pena do filho da puta que for me enfrentar.

Já vim aqui antes, mas a maioria não está me reconhecendo. Quando estive aqui vim acompanhado de Hugo e a presença dele sempre me ofuscou, mas hoje não. Vim sozinho e com raiva e as pessoas ali percebem isso. Eu vejo uma mulher desferindo socos em um saco de areia, que é segurado por um homem grande que grita para ela bater mais forte, dois homens trocam socos em um ringue de Boxe, homens e mulheres trocando golpes coordenados enquanto uma mulher de calça leg e top grita ordens aos marmanjos, e também vejo vários outros levantando quantidades enormes de peso, principalmente no supino e no leg press. Me dirijo à um homem, negro e de idade avançada, que está sentado em uma mesa de escritório, suja e cheia de papeis largados por cima dela. Nesse instante acho que meu rosto está mais pesado e raivoso do que imagino. O homem sentado nem mesmo diz nada, apenas olha para meu rosto e pergunta meu nome.

- Dablo. – digo e o homem escreve em uma lista sem me indagar sobre a procedência desse nome escroto.

- Naquela porta. Onde o branquelo ta parado. – ele diz e aponta com a cabeça o homem. – Diga que você é o número vinte.

Sigo na direção do homem, ele é grande, ainda maior do que eu, eu tenho que olha-lo de baixo e fico tentado a ataca-lo, seria bom começar a noite arrastando aquele homem pelo chão do Beco, mas se controlo e digo à ele meu número. Ele me entrega um cordão com o numero vinte escrito em letras garrafais em um pedaço de papel branco, coloco-o no pescoço e o grandalhão me deixa passar pela porta, que quando aberta me deixa ver o pátio enorme se estendendo pela minha frente. No meio dele um círculo de dezenove pessoas, todas com cordões iguais a mim. Meu número é vinte, quer dizer que lutarei com o homem com um cordão número dez. Vejo que o círculo é predominantemente formado por homens naquela noite, mas ao centro, vejo uma mulher ruiva, vestida com calça jeans e camiseta preta, ela parece ser a mestre de cerimônias, ela está com um celular na mão e chama os próximos lutadores:

- Nove e dezenove, pro meio da roda, agora! – ela grita e os dois homens se reúnem no centro da roda. Não prestei muita atenção em nenhum dos dois, isso não me importa, apenas quero saber quem irá me enfren...

Abro um sorriso. Achei o coitado. Carinha de anjo, cabelos loiros, esguio e sem cicatrizes. Não vai durar cinco minutos comigo. Os dois homens começam a se atracar, ambos sem camisa e descasos, sem anéis, nem nada que possa causar lesões ao adversário além de seu próprio corpo. A luta é rápida, percebi que um homem era um pouco menor que o outro e esse homem menor rodou em volta do maior e até deixa-lo tonto, depois só acertou um soco na altura da orelha do homem grande e, quando ele caiu, chutou-o até ele ficar desacordado. O homem grande é tirado do círculo central por dois homens sem colares que eu não tinha visto antes e o outro sai do círculo ovacionado pelos outros, que gritavam “WL” seguidamente. A mulher volta para o meio e pega o celular. Ela então diz:

- Dez e Vinte, venham para cá, agora! – ela grita e eu vou sem pestanejar, eu queria entrar no círculo antes o número e ver a reação dele à mim.

O caminho se abriu para mim, me lembrando da multidão na praia, e o homem caído no canto da roda me lembrava o pai do garoto desmaiado e sendo acudido pelos médicos. Tirei minha camisa assim que coloquei cheguei no círculo central. Minha tatuagem maori que adornava meu braço e peito esquerdo ficava mais escura diante da luz fraca no meio da roda, enquanto minhas cicatrizes no torso ganhavam volume com a mesma. O homem entrou na roda instantes depois, mas, diferente do que achei que aconteceria, ele mal me deu importância. Viu-me e começou a se preparar para lutar. Tirou a camisa, revelando um corpo sem imperfeições ou cicatrizes, branco e magro como uma folha de papel e delicado como uma flor, mas os olhos dele não são de alguém frágil, a forma como ele me olha não é de alguém que nunca lutou, isso é estranho. Mas não importa, eu estou pronto. Sinto o chão quente debaixo dos meus pés descalços, sinto as gotas de sangue que banham o chão desse pátio a tantos anos, sinto o cheiro de suor dos homens à minha volta e os sons das respirações pesadas, dos que já lutaram e estão cansados, e as eufóricas, dos que sabem que essa luta será boa. Percebo então que meu rival não é um simples lutador de rua e que ele tem habilidades de luta apuradas. O alongamento dele não me é estranho, algum tipo de luta oriental. Me balanço e pulo de uma perna para outra, estalo o pescoço, dedos, braços, ombros, até mesmo a bacia, salto à uma altura considerável do chão, respiro fundo e grito soltando todo o ar do meu pulmão. Escarro uma maça de muco de chão e olho para o meu adversário, ele parece não prestar atenção.

- O seu porra! – eu grito na direção homem, que me ignora. – Seu viadinho de bosta, olha pra mim quando eu falar! – ele olha, não por que eu mandei, mas por que quer que eu pare de falar. – Pede pra um dos seus amigos da Marcha do Orgulho LGBT já chamar uma ambulância. Não existe um

Ele olha nos meus olhos e ri, um sorriso malicioso, um sorriso que já foi feito antes e que precedeu uma vitória esmagadora. Analiso a situação, ele parece bom no que faz e, sem cicatrizes, sei que ele sabe desviar e bloquear. Posso estar errado de pensar assim, mas ele deve ter um soco potente, mãos ossudas e rápidas, cada soco vai quebrar alguma coisa, mas cada soco meu vai quebrar muito mais do corpo dele. Sem camisa, cordões, anéis ou sapatos, ando até o centro do círculo, ele faz o mesmo e me encara como se aquilo não tivesse importância.

- Você não vai se esquecer desse dia... – digo baixo.

- Muito menos você. – eu finalmente ouço a voz do meu adversário e vejo, que apesar de fina, é calejada e forte.

Ele entra em posição de combate, ágil e preciso anda na minha direção. Um passo de cada vez, um soco de cada vez. Eu não erro, ele irá perecer diante da minha força. Ele vem na minha direção e gingo para a direita. Ele não segue meu movimento e chuta minha panturrilha, mas não consegue me desequilibrar, minha base é solida. Desfiro dois jabs e ele esquiva de ambos, deixando minhas mãos rasgarem o vazio. Gingo, dessa vez para a esquerda e finjo um direto de direita, ele desvia mas eu seguro seu cabelo com a mão direita e puxo sua cabeça para baixo, enquanto levanto meu joelho esquerdo na direção de seu rosto. Ele bloqueia com os dois antebraços. Repito a joelhada e ele mais uma vez defende, mas dessa vez, ele estiva o braço esquerdo lodo depois e segura em minha calça na perna direita. Ele então faz um movimento de alavanca e joga o peso contra mim enquanto puxa minha calça. Caio de bunda no chão e vejo ele vindo na minha direção. Ele acerta um soco com a mão direita no meu rosto, ele tenta de novo, mas eu bloqueio com o braço esquerdo e tento atacar com o braço direito, mas ele desvia, dando espaço para que eu empurre-o com meus pés para longe de mim. Ele espera que eu me levante. Estou de pé de novo, sinto um melado do lado esquerdo do meu rosto, mas me sinto bem. Limpo o suor da testa e me preparo para investir novamente.

Mas ele age primeiro. O homem corre na minha direção como uma gazela no cio, ele pula e desfere chute lateral depois em pleno ar, me lembrando dos filmes do Van Dam. Eu desvio e dento acertar um gancho, mas ele recua a cabeça e foge do golpe. Recebo dois jabs no rosto e desvio de um direto, logo depois sinto uma perna bater em meu ombro e me jogar para minha direita. Abro minhas pernas para ganhar apoio e vejo a perna esquerda dele subindo na direção do meu rosto. Mais uma vez desvio e ataco com um jab, seguido de um direto. Ele consegue desviar dos dois, mas não percebe a aproximação do meu joelho, que acerta sua costela no lado esquerdo do corpo, fazendo com que eu escutasse um grito de dor vindo dele. Continuo a sequência e acerto um gancho na boca do estomago do almofadinha e logo depois dou uma cotovelada no seu rosto bonito e depois mais uma. Ele recua e me olha abismado. Eu sorrio e mostro meus dentes molhados de sangue.

- Vai pela sombra, mauriçoca! – grito enquanto ele também ri.

Vou na direção dele mais uma vez. Agora ele sabe que as coisas estão complicadas e está mais cauteloso. Ele se movimenta mais rápido, atento para necessidade de uma esquiva ou um contragolpe. Ando também cauteloso em sua direção. Uso a ponta do pé para empurra-lo para trás. Ele poderia tentar chutar minha perna de base, mas minha perna é bem maior que a dele e ele não conseguiria me acertar então recua. Então miro uma canelada na perna esquerda do branquelo, mas ele usa a sola do pé direito para parar meu ataque, tento inverter o golpe e atacar a perna direita e, com a mesma habilidade, ele bloqueia meu golpe com a sola do pé esquerdo. Ele então ataca, dando um passo rápido na minha direção e direcionando um soco no meu pescoço, bloqueio com o braço direito e projeto meu cotovelo esquerdo na direção do seu nariz, ele desvia o golpe com a mão direita e usa o cotovelo dele para acertar meu ombro. Dou um passo para trás e ele dá um chute duplo, acertando meu quadril e depois meu ombro, ambos do lado esquerdo. Recuo e lanço um chute rodado na sua direção, ele dá uma cambalhota para trás e, aproveitando o impulso, dou um chute frontal no peito do homem quando ele fica de pé. Ele tropeça para trás, mas se mantém de pé. Corro em sua direção e pulo, lançando lhe uma joelhada voadora, mas ele se joga no chão, para trás, e eu passo por cima dele, tento pisar sua cabeça com força, mas ele rola para o lado e, em um salto, se levanta. Então sinto o pé dele em meu rosto. Ele havia me dado um superkick, que me deixou sem reação por dois segundos, tempo suficiente para ele desferir-me uma canelada giratória na cabeça. Fiquei sem reação, sem sentido, sem chão e céu. Não sabia aonde estava, apenas ouvia o barulho dos homens no pátio gritando, o fedor do meu suor e do meu sangue. A respiração ficou difícil, cada inspiração era uma luta, minhas narinas estavam entupidas de sangue.

Me senti leve, voando e então eu vi o chão crescendo e vindo em minha direção. Por instinto coloquei a mão em meu rosto, mas então eu lembrei da mulher que havia me desafiado em meio à tantos outros. Estiquei minha mão para agarra-la e nesse momento me mantive longe do chão.

- Não mesmo... – me levanto com dificuldades. O mundo está girando mas ainda tenho equilíbrio, ainda tenho gás, ainda tenho mais um round.

- Até o final? – o almofadinha diz.

- Na minha favela, branquelo igual você só serve pra fazer as contas do movimento. – eu digo sem saber exatamente o porquê, apenas digo.

Então mais uma vez estamos em posição de luta. Meu corpo está pesado, minha cabeça parece ter caído do pescoço e alguém colou com cola bastão, meus braços doem e eu estou tonto. Mas eu tenho uma vantagem que mais ninguém possui: meu nome é “Wesley”, não é “bagunça”. Ele parece ter gostado do chute que me nocauteou, ele repete, dessa vez eu consigo desviar, o superkick passa por cima da minha cabeça enquanto eu me agacho. Antes que ele possa se virar para me enfrentar, acerto um chute rodado para trás em suas costas e lanço-o para frente. Quando ele por fim se vira, seguro seus cabelos loiros com minha mão esquerda e começo a bombardeá-lo de cotovelas com o braço direito. Tentando se proteger, ele acerta um soco por baixo do meu braço direito, mas não o solto. Paro com as cotoveladas e começo a ataca-lo com os joelhos, um de cada vez, ele consegue segurar a maioria dos golpes, mas que ainda assim fazem estragos. Ele tenta repetir o golpe usado no começo da luta, mas para com as joelhadas e jogo minhas pernas para trás e jogo meu corpo por cima do dele, que estava encurvado para frente. Ele se debate e luta para fugir, mas seguro-o com força pela cintura. Ele continua lutando, mas levanto-o fazendo com que ele gire no ar. Com as pernas do homem sobre os meus ombros e a sua pélvis na altura do meu rosto, faço um movimento agressivo jogando o para baixo com as costas no chão, usando toda minha força para fazê-lo sentir o máximo de dor possível, descarregando tudo que me fez vir até esse pedaço de inferno. Ele bate as costas e a cabeça no chão com força, mas isso ainda não acabou. Me jogo sobre ele e começo a desferir soco atrás de soco. Direita, esquerda, direita, direita, esquerda, direita, esquerda, esquerda, cabeçada, direita, cabeçada, cabeçada, cabeçada, direita, esquerda, direita. Já não sinto minhas mãos, mas percebo que de baixo de mim, o homem está inconsciente, machucado e vencido. Ele havia conseguido defender alguns dos meus golpes e desviado de outros fazendo que minhas mãos acertassem o chão, me fazendo dar cabeçadas. As cabeçadas e a maioria dos socos de esquerda entraram, fazendo com que o rosto perfeito o homem se transformassem em uma massa de sangue e osso. Quando eu sai de cima do almofadinha, percebi que o círculo à minha volta estava eufórico, e soltei um pequeno sorriso de canto de boca quando percebi o contraste com a noite de Ano Novo.

- Bom saber que tu tem uma importadora de peças de carro, “Rodrigo Autopeças Importadas”. – eu digo antes de tomar mais um gole de cerveja. – Tem carro pra caralho importado na VSJ, volta e meia preciso dessas porras pra repor mas é uma merda de achar ferro velho onde tenha.

- Só me ligar. – o rosto de Rodrigo já estava um pouco menos inchado no dia seguinte. – Acho que posso fazer um desconto pra você, não posso recusar algo para o homem que fez isso comigo. – ele diz e ri, com leveza e sem nenhuma magoa pelos machucados da luta do dia anterior.

- Desde que você não chute minha cabeça daquele jeito de novo. – sorrio e ele gargalha. – Cabo, traz outra Boa por favor? – grito para o dono do bar, um dos meus clientes mais assíduos na oficina. Ele traz e enche nossos copos. – Valeu, irmão.

- Tranquilo. – Cabo diz perto da nossa mesa, estávamos do lado de fora do bar, estava vazio, mas a música já estava tocando na casa ao lado. – Qualquer coisa é só chamar.

Então ali ficamos. Bebendo e conversando como amigos de infância, tirando os rostos massacrados pela luta, ninguém imaginaria que estávamos lutando como animais no dia anterior.

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Re: Academia do Beco dos Caídos

Mensagem por Convidado em 7/7/2016, 22:50

Levando em consideração os últimos dias, cada vez que abro os olhos de manhã, o mundo parece diferente. Coisas imperceptíveis que fazem uma grande diferença em um todo, como o tom de cor do filtro de um filme, ou alguns segundos de duração à mais. Hoje, por exemplo, minha oficina parece um pouco mais suja, mas ela realmente está, o filho da puta do Hannibal cagou na merda do meu chão. Ontem eu li uma matéria sobre mim, falando sobre a forma como agi no réveillon, como nocauteei uma família inteira minutos antes das explosões dos fogos tradicionais de ano novo, a colunista em questão era a mulher que havia tirado minha atenção. Desde então eu não consigo prestar atenção no que eu estou fazendo, quase fui esfaqueado ontem à noite, um bandido qualquer tentou tirar proveito de um momento em que olhei para o lado e vi uma moça muito parecida com ela.

Agora estou mais uma vez no Beco dos Caídos. Acho que já tem uma semana que não venho aqui, mas eu preciso disso. Preciso condicionar ainda mais meu corpo ao extremo, eu sou o melhor, mas preciso ser ainda melhor e me manter no topo, treinar para não ter nada nem ninguém que consiga me atingir.

Os frequentadores assíduos me olham torto, eles lembram da última vez que estive aqui. Rodrigo era um dos melhores lutadores daqui, ninguém gostava de lutar com ele, mas eu lutei e venci, mesmo isso sendo mais difícil do que eu imaginei em um primeiro momento. O velho sentado em uma mesa de escritório me olha e pergunta se eu vou lutar hoje de novo.

- Dessa vez não. – eu respondo sem rodeios. – Hoje é dia de puxar ferro.

- Qual o seu nome mesmo? – ele pergunta.

- Dablo. – eu digo, mas dessa vez ele não me aponta nenhuma porta, eu simplesmente vou até a parte reservada à musculação do Beco.

Me alongo com tranquilidade e depois me aqueço com uma hora de esteira, precisava correr um pouco, a música da ambiente é um rap forte e ritmado como tambores de guerra. Ao final o beco está mais vazio, acredito que sejam quase cinco horas da manhã, mas agora é hora de começar a trabalhar.

Começo pelos pesos mais leves, dois halteres de 10 quilos para acelerar ainda mais o ritmo cardíaco, puxando-os em elevação lateral, os pesos parecem fáceis no começo, mas na ultima repetição da terceira sequência, meus ombros já não aguentavam mais. O exercício seguinte foi o levantamento em rosca com os halteres, mas dessa vez com 20 quilos em cada um. A mesma coisa ocorreu com esse exercício, e na última repetição, meus bíceps pedia descanso, mas eu não posso parar. Estou bebendo muito agua, preciso me manter em movimento. Começo uma seção de exercícios de panturrilha, todo o meu peso e mais 50 quilos de cada lado. Mais uma vez eu só sinto a dificuldade na última repetição da última sequência. O exercício seguinte é o supino, famoso por todos os cantos, é um dos exercícios mais perigosos. Um deslize, um segundo fraquejado, é o suficiente para que a barra caia em cima de você com, no meu caso, 100 quilos de metal rústico. Na primeira sequência, tenho um pouco de dificuldade no fim, e na segunda quase não consigo subir na última repetição. Mas um amigo aparece para ajudar.

- Não queria atrapalhar, você parecia tão concentrado. – respondeu Rodrigo quando o questionei por não ter falado comigo. – Você não tava com uma cara de muitos amigos.

- Eu nunca tenho essa cara, afinal, não tenho muitos amigos. – eu disse enquanto me deitava para fazer uma terceira e última sequência de repetições no supino.

- Ainda tem mais alguma coisa pra hoje? – perguntou-me Rodrigo enquanto tirávamos as anilhas da barra do supino.

- Leg Press. Último exercício antes de ir embora. – eu respondo e olho para o móvel de metal, para ver se teriam anilhas suficientes para ele. – Me ajuda a colocar 200?

Então assim fizemos. Um pouco mais de 100 quilos de cada lado, algo em torno de 220 quilos. As pernas são fortes, as minhas principalmente, minha constituição sempre foi bem distribuída, tenho força em todos os membros, principalmente nas pernas. A primeira sequência foi suada, mas consegui termina-la sem grandes problemas. A segunda foi uma luta, as últimas repetições eram cada vez mais longas. A terceira foi algo horrível. Um suspiro longo na quinta repetição, e uma inspiração curta na sexta. Meu ar acaba na sétima, e demoro para pegar folego para fazer a oitava. Acho que Rodrigo está falando algo ao meu lado, mas não consigo discernir direito o que é. Acredito que sejam palavras motivacionais, mas não posso dar certeza. Tenho que fazer a última repetição. Porra, pra que mais uma? Eu já fiz muito... Não, eu tenho que terminar essa merda, eu sou melhor, eu faço melhor, eu tenho uma missã!

- Ah! – eu grito enquanto faço a última repetição. Eu venci os 220 quilos, venci as 24 repetições.

Olho para Rodrigo e ele me olha de volta, nós dois com os rostos ainda machucados, rindo do meu desespero enquanto eu me vanglorio de meu triunfo... “Triunfo”? Essa é minha obrigação. Ser mais forte e melhor. Mais rápido e ágil. Amanhã é um novo dia e mais uma luta está por vir.

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Re: Academia do Beco dos Caídos

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